Em Portugal, café é expresso.
Pelo menos aqui no Norte. Lá para o sul é uma bica. Dizem, que eu não vou lá muitas vezes.
Mas é estranho, porque eu sou um homem viajado, e em qualquer outro lado, ser português causa confusão. Tentem pedir um café!
“Café qual café?” É um sketch do Gato Fedorento em versão internacional.
Depois de 16 meses emigrado, volto ao país e perguntam-me “o que é que vai ser”. Não num café da cidade, já habituado ao emigrante, mas na terra que lembra o verdadeiro Portugal. Que é onde vivo e de onde sou. Como já me era natural, pedi um “expresso”. Falha minha.
“Um quê”, dizem-me com uma cara complexada. “Não perguntei se queria depressa ou devagar”, levo logo com a piada. “É um café não é?”
Em Portugal o café não é só uma bebida, é um ritual. É onde se trata de assuntos, onde as pessoas se chateiam e fazem as pazes, e onde se passa o tempo. Havendo uma palavra para quase tudo, muitas vezes diferente consoante onde estás, não é confusão, é riqueza cultural. A bica do sul e o expresso do norte são a mesma coisa na chávena e coisas completamente diferentes na boca de quem as pede. Não há uma forma certa. Há a tua forma, e há a forma do sítio onde estás.
Ao que respondi: “Peço desculpa, é sim senhor.”



