A ferramenta de 35€ que faz melhor café do que a tua máquina
A AeroPress não impressiona ninguém à primeira vista. É por isso que funciona.
Já falámos de máquinas de cápsula, automáticas, semiautomáticas e manuais. Todas custam dinheiro a sério, mesmo as mais acessíveis. A AeroPress fica fora dessa lista toda, porque não se parece com nenhuma delas. É uma espécie de seringa gigante que faz um dos melhores cafés que vais provar em casa, por uma fração do preço.
Vamos ver porquê.
1. O preço de entrada
Em Portugal, uma AeroPress Original ronda os 35 a 40€. Compara isso com o que já vimos por aqui. Uma máquina de cápsulas fica entre 30 e 150€, e depois pagas 0,30 a 0,50€ por cápsula para sempre. Uma automática sobe para 300 a 800€. Uma semiautomática, sozinha, já vai dos 200 aos 600€, e ainda precisas de um moinho à parte, mais 100 a 300€.
A AeroPress custa o preço de um moinho manual básico. E é praticamente tudo o que precisas para fazer café a sério.
2. Onde o dinheiro faz diferença
A AeroPress não tem caldeira, não tem bomba, não tem eletrónica nenhuma. É plástico, uma borracha e um êmbolo. Isso significa que há muito pouco para avariar, mas também significa que ela sozinha não faz milagres.
O que continua a fazer a diferença é sempre o mesmo: café moído na hora. Já falei disso aqui e aqui. Uma AeroPress com café pré-moído de supermercado já vai dar um café melhor do que uma cápsula, mas fica longe do que pode ser com grão moído na hora.
3. Um método, muitas formas
A AeroPress é dos métodos mais tolerantes que existem. Aceita moagem fina ou média, aceita mais água ou menos, aceita mais tempo de infusão ou menos. Por isso é que é um bom método para experimentar sem grandes riscos.
Não precisas do método invertido, nem de discos de metal, nem da versão Premium em vidro. A AeroPress original, o método simples e um filtro de papel fazem o trabalho todo. Menos, mas melhor.
A AeroPress tem tantos entusiastas que existe um campeonato mundial só para ela, o World AeroPress Championship, com edições também em Portugal.
4. A minha receita
Peso 12g de café.
Moo no moinho manual (no Timemore C3, são 12 cliques, fácil de decorar: 12/12).
Coloco o café na AeroPress e encho de água quente até à marca 4.
Deixo em repouso 2 minutos.
Abano ligeiramente.
Deixo mais 30 segundos.
Empurro devagar.
5. O filtro, sem complicar
O filtro de papel é feito para uma utilização única, mas dá para reaproveitar 2 a 3 vezes sem perda notável de qualidade. É a própria AeroPress que sugere isto no manual, como forma de reduzir desperdício. Não é preciso comprar nada extra. Eu ainda tenho alguns dos 250 filtros que comprei inicialmente.
Há também discos metálicos verdadeiramente reutilizáveis à venda. Mas o próprio inventor da AeroPress, Alan Adler, resistiu durante anos a lançar uma versão em metal. Nas provas cegas que fazia, o papel ganhava sempre.
O papel filtra compostos chamados cafestol e kahweol, que noutros métodos, como a French Press, passam para a chávena e estão ligados a subidas de colesterol. É mais uma razão pela qual o Adler nunca se convenceu com o metal.
6. Conclusão
A AeroPress não tenta ser a máquina mais impressionante da tua cozinha. É uma ferramenta simples, um pouco feia, praticamente indestrutível, e que custa menos do que um jantar fora a dois. Junta um moinho decente e alguma atenção, e o resultado compete com máquinas dez vezes mais caras.
É talvez a prova mais simples da filosofia deste blog. Não precisas de gastar muito para beber bem. Precisas de prestar atenção às coisas certas.



