Como é que eu faço expresso em casa
Em 342 passos simples :)
O meu processo não é complicado. Tenho um conjunto de passos que, feitos sempre da mesma forma, garantem que o café sai consistente. Cada passo existe por uma razão. E quando percebes a razão, deixa de parecer ritual satânico e passa a fazer sentido.
Aqui está o que faço, do princípio ao fim.
Segue a lista de ferramentas primeiro.
Moinho - DF54 c/copo doseador de café em pó
Portafiltro - Normcore 3-em-1 54mm (sem fundo/duplo/simples)
Funil para o portafiltro - Normcore 54mm
Balança - Timemore Black Mirror Mini c/copo doseador de grãos pretos
Prensa (tamper) - Normcore 54mm
Disco de dispersão - Normcore 54mm 0.8mm grossura
Base de madeira para as ferramentas - Normcore espresso tamping station
Pano de microfibra
Ligar a balança com o copo doseador em cima
O copo doseador é onde o café em grão vai cair. Ligar a balança primeiro permite tarar/zerar o peso antes de colocar os grãos.
Abrir o saco, inalar os aromas, pesar 16g de café
Isto não é só ritual por vaidade. Os aromas do café desvanecem rapidamente depois de moído, e mesmo o aroma dos grãos inteiros já dá indicação do que vem a seguir. 16g é a dose que uso sempre, com tolerância de 0,1g.
RDT: pulverizar um pouco de água nos grãos
A ideia é simples: um pouco de humidade nos grãos reduz a electricidade estática gerada durante a moagem, e isso faz com que o pó não se disperse nem fique agarrado ao moinho.
Ligar o moinho e colocar os grãos
O DF54 é de dose única, por isso trabalha apenas com o que lhe dás. Não há café guardado dentro do moinho de um dia para o outro.
Funil em cima do portafiltro, portafiltro na base
O funil serve para que o café moído caia directamente dentro do portafiltro. Para manter as coisas o mais limpas possíveis.
Colocar a chávena na máquina
Enquanto o moinho trabalha, vamos adiantando o resto.
Ligar a máquina e passar água
Carrego no botão de expresso simples sem o portafiltro encaixado. Isto faz duas coisas ao mesmo tempo: limpa o que ficou da extracção anterior e aquece a chávena por dentro. A chávena fria arrefece o café em segundos.
Virar o copo com o café moído para dentro do portafiltro
O café já moído cai directamente do copo para o portafiltro. Limpo e sem desperdício.
WDT
Distribuir o pó de forma uniforme dentro do portafiltro, quebrando grumos e evitando canais preferenciais durante a extracção. Dependendo da ferramenta, este passo pode ser feito com ou sem o funil ainda encaixado.
Prensar o café
Pressão constante, superfície nivelada. O tamper Normcore tem uma mola de resistência calibrada que ajuda a aplicar sempre a mesma força e a nivelar.Colocar o disco de dispersão em cima do café prensado
O disco garante que a água entra de forma uniforme em toda a superfície do café. Sem ele, a água tende a concentrar-se no centro, o que cria uma extracção desigual.
Retirar a água da chávena
A água que aqueceu a chávena já fez o seu trabalho. Fora.
Encaixar o portafiltro e colocar a chávena por baixo
Tudo no lugar. A partir daqui é a máquina que trabalha.
Carregar no botão de expresso duplo
A extracção começa.
Uma nota sobre o rácio
O peso de entrada é sempre 16g. O que muda é o peso de saída, e isso depende do café.
Com 100% arábica, retiro cerca de 32g de café extraído, o que dá um rácio de 1:2. Com misturas que têm 20 a 80% de robusta, ando mais perto de 1:3, ou seja, 48g. Com 100% robusta, é até não caber mais na chávena.
O café robusta extrai com mais facilidade do que o arábica. O mesmo rácio de 1:2 que funciona bem com um arábica de especialidade pode, com uma mistura robusta, resultar num café curto e amargo demais.
Duas coisas que não estão na lista: o portafiltro e o disco de dispersão precisam de ser limpos, antes ou depois da extracção. E quando mudo de café, a primeira coisa que faço é ajustar a moagem e o rácio antes de considerar o resultado aceitável.
É tudo.



